quinta-feira, 13 de junho de 2019

Memorial dos Povos Indígenas promove discussão sobre políticas públicas para a população indígena, com foco na violência contra mulheres

Memorial dos Povos Indígenas. Fotos: Júnior Aragão/SECDF
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa e a Embaixada da Áustria promovem nesta segunda (17) uma mesa de diálogo com a escritora brasileira indígena da etnia Puru, do Amazonas, radicada na Áustria, Sueli Menezes. O encontro, “Políticas Públicas aos Povos Indígenas – diferentes perspectivas”, será no Memorial dos Povos Indígenas (MPI). 

O gerente do MPI, David Terena, destaca a importância de que Suely fale sobre os valores da mulher indígena na história de luta, resistência e alvo de violência de gênero, percurso vivenciado por mulheres de várias etnias. Ele defende que a conversa possa gerar um projeto de lei para a proteção da mulher indígena no Congresso Nacional. Sueli engravidou aos doze anos, vítima de estupro, violência que pontuou sua vida a partir de abusos do pai. No final dos anos 80, migrou para a Áustria, onde se casou, aprendeu alemão como autodidata e voltou a ser mãe de um terceiro filho, ao lado de dois que haviam ficado no Brasil. 

No país europeu, Suely foi de pedicure a escritora e oficial do governo austríaco, como embaixadora do Ministério de Administração. Fundou a Organização Não Governamental Vitória Régia, voltada a ajudar na subsistência de crianças pobres no Brasil, criar alternativas de renda e contribuir para a proteção da floresta amazônica. 

O subsecretário do Patrimônio Cultural, Cristian Brayner, que também fará parte da mesa, destaca no MPI a vocação de espaço de relação dialógica para minorias. “Todo museu gravita em torno da valoração das diferenças. Uma roda de conversa como essa acentua a vocação dialógica do Memorial”, afirma. No evento de segunda-feira, o gestor frisa que estarão em discussão as condições de vida de grupos vulneráveis. “A mulher, a indígena, a imigrante”, nomeia. 

Brayner discorre que políticas públicas para os povos originários têm de estar na agenda do estado. “Temos no Distrito Federal 32 etnias. O que fazer para que nossos recursos limitados atinjam a maioria de nossos irmãos indígenas?”, interroga. 

Ele acredita que o MPI está vivendo um bom momento e sinalizou para os próximos meses a exposição “Séculos Indígenas no Brasil”, que deve encontrar o Memorial revitalizado em virtude da captação de R$ 200 mil de recursos de emendas parlamentares. 

Terena, que no início do mês tomou parte na leitura pública da minuta do Regimento Interno do Memorial dos Povos Indígenas, advoga agora a criação de um estatuto para o Museu do Índio, fechado para revitalização da coleção de 382 peças doadas pela viúva de Darcy Ribeiro, Berta, em 1995, que está sendo higienizada e classificada. 

Confirmaram participação no evento a enfermeira e mestranda em desenvolvimento, sociedade e cooperação internacional na UnB, Rayanne Cristine França, das Redes de Juventude Indígena e Latino Americana de Jovens Indígenas. Também estarão no encontro Maria Angélica Breda Fontão, mestranda, com pesquisa em direitos humanos, foco na questão de gênero e indígena e Fernanda de Carvalho Papa, da ONU Mulheres.

Serviço:
Mesa de Diálogo “Políticas Públicas aos Povos Indígenas – diferentes perspectivas”
17 de junho de 2019, segunda-feira, às 16h
Memorial dos Povos Indígenas
Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK.
Contato: 61 3443.3111 – ramal 21
Entrada Franca.

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