Maternidade inspira trabalho de artista e coletivo de mulheres no Museu da República

Coletivo Matriz
Uma exposição que transfere para telas, instalações e objetos as inquietações da mulher-mãe-artista, angustiada pelo lugar de invisibilidade que a maternidade confere a elas numa sociedade que as sobrecarrega com demandas no puerpério e além.

Essa é uma síntese possível da exposição “Matriz”, com 30 obras inéditas da artista Clarice Gonçalves, produzidas nos últimos sete anos. A abertura será em 8 de outubro no Museu Nacional da República. A exposição tem patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF).

A mostra inclui ainda dez trabalhos de artistas mulheres, a maioria delas mães, selecionadas em chamamento público, que participaram de um ateliê de 120 horas, no qual foram incentivadas a se expressar sobre o sentimento de maternidade numa sociedade patriarcal e machista.

Como está no material de divulgação da coletiva, “Matriz é mais do que uma exibição. É um pronunciamento, uma descoberta catártica da força motriz da maternidade na arte”.

Clarice, feminista e militante, viu na iniciativa também um modo de responder ao descompasso que existe entre a formação em artes, na qual a maioria é de mulheres, e exposições e salões, que contemplam na maior parte trabalhos de homens.

A artista montou um ateliê dotado de brinquedoteca e arte-educadoras para que as mulheres, que receberam ajuda de custo, pudessem deixar as crianças a fim de produzir artisticamente e ao mesmo tempo poder falar, num espaço de acolhimento, da maternidade e do lugar da mulher.

“Vivemos numa sociedade sem abertura para criticar a maternidade idealizada, que não leva em conta o trabalho infinito da mãe sobrecarregada, num cenário marcado pela ausência dos companheiros e ambientes hostis às crianças”, dispara Clarice.

O trabalho da artista, diz a divulgação do evento, desenvolve narrativas pictóricas que instigam o público para a sobre temas de debate no nosso tempo: a construção do feminino, a inocência da infância, as flores delicadas na puberdade, o desejo libidinoso, as vaidades, a maternidade.

Ela é detentora de menção honrosa em 2008 pelo “Prêmio Visões da Europa”, ganhadora em 2007 do prêmio aquisição no 13º Salão dos Novos e selecionada para o Iº Prêmio Vera Brant em 2016.

Clarice, que atuou como curadora dentro do Coletivo Matriz, orientando as dez artistas-mães, conta para sua mostra com a curadoria de Cinara Barbosa. A professora adjunta do Departamento de Artes Visuais (VIS) da UnB destaca, além da temática do lugar de fala da mulher, a base material da obra de pintora, com telas que se desprendem das molduras, tornando-se objetos com elementos de bordados e crochê e cadernos de artistas que ecoam diários pessoais.

“As telas figurativas repercutem em torno de temas como trabalho doméstico, a letargia e a perturbação pela privação do sono, o corpo dessexualizado e as obrigações de prover outro ser”, diz o texto de parede assinado por Cinara.

Serviço:
“Matriz”
Artista Clarice Gonçalves
Coletivo Matriz: Adriane Oliveira, Aila Beatriz, Angélica Nunes, Bárbara Moreira, Camila Melo, Carolina de Souza, Débora Mazloum, Marta Mencarini, Raissa Miah, Tatiana Reis.
Abertura: 8/10
Encerramento: 07/11
Museu Nacional da República
Setor Cultural Sul, próximo à Rodoviária do Plano Piloto
Horário de visitação: terça a domingo, de 9h às 18h30.
Telefones: (61) 3325-5220 e 3325-6410
E-mail: museunacional@cultura.df.gov.br

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