Museu Nacional da República recebe a mostra “Orixás”, que traz reflexões sobre a pluralidade das religiões no Brasil

Obras coloridas e geométricas do artista brasiliense Josafá Neves materializa divindades da mitologia africana.


ORIXÁS – Geometria, símbolos e cores – Josafá Neves. Foto: divulgação 

Com o objetivo de exaltar os símbolos sagrados das tradições religiosas das matrizes africanas, o Museu Nacional da República recebe a exposição “Orixás: geometria, símbolos e cores”, do artista brasiliense Josafá Neves. A mostra que estreia na próxima terça-feira (28) e fica em cartaz até 29 de março reúne a simbologia e as cores que caracterizam a força mística de 16 orixás cultuados no Brasil.


A exposição, que provoca o olhar do público em relação à história da cultura afro-brasileira, surgiu a partir de uma ampla pesquisa do artista plástico brasiliense sobre a mitologia africana. Para a materialização das obras, Neres se inspirou nas influências artísticas dos traços geométricos e da simbologia de cores característicos das obras de Rubem Valentim.

Composta de esculturas, pinturas a óleo sobre tela e instalações, o trabalho do artista segue a linha da arte contemporânea, traduzindo a mitologia africana em uma narrativa poética, respeitando a representação emblemática das divindades que representam a cultura afro-brasileira no país.

Em cada obra da mostra artística, Josafá usa como principal referência suas pesquisas de mitologia iorubana, em que se utiliza de soluções estéticas que unem os símbolos e cores que representam a energia de cada um dos 16 orixás estudados juntamente com as formas geométricas, dando verdadeira dimensão simbólica para as entidades religiosas.

Com curadoria assinada pelo crítico de arte Marcus Lontra Costa, a exposição com as pinturas e esculturas do artista plástico brasiliense revela a potência das imagens desprezadas pelo discurso social.

Para o curador, “Orixás” provoca no público o olhar para o papel destas figuras na construção social e cultural do Brasil. “Nesta exposição não há espaço para acomodações, discursos conciliatórios, não há a busca em criar uma falsa ideia de harmonia e integração social num país majoritariamente formado por mestiços, filhos do estupro de mulheres negras por parte do homem branco”, conta.

Exu, Oxum, Obá, Oxóssi, Ogum, Oxalá Oxaguian, Nanã, Ossain, Omolú, Iemanjá, Xangô, Iançã, Oxumar, Logum Edé e Oxalá Oxalufan são os orixás representados na mostra inédita em Brasília. Para o autor da mostra, a representação dos símbolos sagrados das tradições religiosas de matrizes africanas, por intermédio da arte, transmite por uma narrativa poética uma mensagem de atenção e respeito à diversidade, além de ser um convite para mergulhar na história do negro no Brasil. “Mostrar essa cosmovisão é afirmar as pluralidades humanas, constructos teóricos que, nesta contemporaneidade, precisam ter uma concretude”, afirma.

O artista Josafá Neves:
Nascido na cidade do Gama-DF, em 1971, Josafá Neves começou a desenhar aos cinco anos de idade nas calçadas e ruas onde morava. Mudou-se para Goiânia com sua família aos sete anos e foi lá que Josafá Neves passou a se dedicar integralmente às artes plásticas, desde 1996.

Autodidata, sua pintura tem como peculiaridade as pinceladas negras, as quais expressam com firmeza seus sentimentos em traços distintos. A prática da pintura para o artista é de um valor incontestável e efetivo. Preparando as telas de forma paternal e zelosa, peculiarmente pinceladas na cor preta, atinge as mais íntimas emoções dos expectadores em seus 24 anos de dedicação integral ao ofício das artes.

Josafá Neves é um artista conhecido internacionalmente, participante de diversas exposições individuais e coletivas, em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Goiânia, Havana/Cuba, Caracas/Venezuela, Paris/França e EUA.

Serviço:
Exposição: ORIXÁS – Geometria, símbolos e cores – Josafá Neves
Abertura: 28 de janeiro 2020 a partir das 18h30
Em cartaz: 29 de janeiro a 29 de março de 2020
Horário: Segunda-feira das 14h às 18h30 e de terça-feira a domingo das 9h às 18h30
Local: Museu Nacional da República/Entrada: franca
Classificação indicativa: livre

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