quarta-feira, 4 de março de 2020

Comitê do Grafite: Espaço democrático em prol da arte urbana

Ações de aprimoramento da arte urbana e capacitação de artistas são discutidas pelo colegiado.


Grafite - Divulgação 

Reconhecidos por colorir as paredes com desenhos que remetem à cultura Hip hop, abordando temas sociais com lições de cidadania, os artistas grafiteiros conquistaram um espaço democrático junto ao governo. O Comitê Permanente do Grafite (CPG) é pioneiro no processo de valorização da arte urbana no Brasil. Coordenado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), foi criado em 2018 com a missão de discutir e executar melhorias para os profissionais, aprofundar e pesquisar as vertentes da arte urbana, além de implementar a cultura do grafite no contexto social do Distrito Federal.

Previsto na Política de Valorização do Grafite (Decreto 23.174/2018), o CPG possui em sua estrutura membros da sociedade civil (artistas grafiteiros) e do poder público (Secec). Os representantes se encontram mensalmente para discutir estratégias de aprimoramento das ações de difusão da arte urbana, bem como deliberar sobre projetos e propostas em prol da consolidação e valorização dos trabalhos dos artistas.

Este ano o CPG celebrará dois anos. No entanto, seu trabalho ainda é desconhecido pela maioria dos habitantes do DF. A expressão, humanização, inclusão social e valorização da cultura urbana podem ser vistas em diversas atividades realizadas com o apoio do comitê. Dentre as ações desempenhadas, os artistas celebram iniciativas como os Encontros de Grafite, realizados anualmente por meio de editais de chamamento públicos lançados pela Secec.

A ação de 2019 contou com capacitação dos artistas – que foram remunerados pelo trabalho executado -, além de revitalização de espaços de vulnerabilidade social, como o Beco do Rato, no Setor Comercial Sul. De acordo com o grafiteiro e membro do comitê, Paulo Corujito, a amplitude do trabalho realizado pelos artistas é notável pela transformação social gerada nos espaços revitalizados. “Ações como esta nos fazem celebrar a trajetória dos primeiros artistas de grafite e a tradição que foi passada de geração em geração, espalhando esta arte e sua mensagem pelo mundo”, completa.

O grupo agora traça novas metas para a realização de iniciativas em 2020. Neste ano, o comitê se concentra em aumentar sua visibilidade e seu alcance institucional. O membro do CPG e grafiteiro Ítalo Presi conta que uma das principais tarefas para o segundo ano do comitê é trabalhar na elaboração do regimento interno, no sentido de dar maior celeridade aos pleitos do colegiado. “O regimento certamente dará mais força ao grupo e aos movimentos de grafiteiros, ajudando o artista na prática, acolhendo as dificuldades e elevando a pertinência do trabalho dos artistas de rua do DF”, destaca.

Para Danilo Rebouças, servidor da Secec e membro da agremiação, a elevação do grafite funciona como marca de um organismo vivo, onde poderá transformar-se em uma “tatuagem urbana”. Rebouças reforça que a arte urbana é um maciço recurso de linguagem e acessibilidade, por isso a força do comitê é muito importante para o artista e para a cidade. “O grafite serve para expressar intenções, transgredir regras, provocar, seduzir e identificar”, destaca.

O servidor também ressalta a transformação urbana realizada por intervenções de grafite na cidade e garante que, com o aumento da visibilidade do colegiado, é possível promover um comitê nacional tendo o Distrito Federal como referência. “O comitê atua em prol da criação de galerias de arte a céu aberto feitas por nossos artistas e pela valorização no contexto social de cada um deles”, finaliza.

Em celebração ao mês do Grafite, durante todo o mês de março a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) promoverá uma série de ações, que vão desde a discussão sobre as atividades para o segmento em 2020, até homenagens, matérias especiais, depoimentos, conquistas e reivindicações dos artistas urbanos. A programação especial contará com uma ação de sensibilização marcada para o final do mês, onde serão debatidas as demandas do grafite.

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