terça-feira, 3 de março de 2020

Doenças cardíacas são responsáveis por um terço das mortes entre as mulheres

Anualmente 8,5 milhões de mulheres morrem de doenças cardiovasculares no mundo.


Doenças cardíacas são responsáveis por um terço das mortes entre as mulheres. Crédito - Freepik

A rotina atribulada da maioria das mulheres, que muitas vezes inclui trabalhar fora, cuidar da casa, levar os filhos para a escola entre outras obrigações, faz com que elas deixem os cuidados com a própria saúde para depois. Estudos médicos apontam que no Brasil uma em cada cinco mulheres tem risco de sofrer um infarto. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres, e as que mais as acometem são o infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por um terço de todas as mortes de mulheres no mundo, o equivalente a cerca de 8,5 milhões de óbitos por ano, mais de 23 mil por dia. No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março), em meio às homenagens, vale a pena tocar nesse importante assunto.

O que poucas mulheres sabem é que o estresse do dia a dia pode influenciar no desenvolvimento de problemas cardiovasculares. Além disso, em geral, depois da entrada na menopausa é indicado que as mulheres façam uma investigação, pois elas perdem essa proteção hormonal e têm que se cuidar bem mais. "Enquanto nos homens a dor no peito é um sinal, as mulheres se queixam de dor nas costas, cansaço, queimação no estômago e náusea, associando a crise a problemas gastrointestinais ou ortopédicos, retardando a procura por socorro médico", explica Dr. Thomas Osterne, do Instituto do Coração de Taguatinga (ICTCor)

Infarto


O infarto é a insuficiência de sangue oxigenado em uma determinada área do músculo do coração como consequência de obstrução de alguma das artérias coronárias. Quando isso acontece, o músculo entra em um processo de necrose, que pode levar à morte celular. Entre os fatores de risco, o cardiologista destaca o histórico familiar, tanto de possíveis doenças genéticas quanto de hábitos errados da mesma família. "Fatores como menopausa, pressão alta, tabagismo, diabetes, sedentarismo, obesidade e colesterol alto aumentam consideravelmente as chances de uma mulher ser acometida por essas doenças", garante Dr. Thomas.

O tratamento inicial deve ser feito em ambiente hospitalar e pode incluir o uso de medicamentos para melhorar a circulação sanguínea, além de procedimentos invasivos, até mesmo cirúrgicos. Muito utilizada atualmente, a angioplastia com colocação de stent (uma espécie de mola) é a técnica mais comum para tratar a obstrução das artérias coronárias. "Um pequeno tubo, chamado cateter, é colocado em uma artéria do braço ou da virilha e percorre o corpo até o vaso sanguíneo que está causando o infarto. Ele auxilia na desobstrução da artéria e, com a ajuda da mola, normaliza a circulação do sangue, o que impede que o vaso continue fechado", explica o cardiologista.

 AVC 


Assim como o infarto, o acidente vascular cerebral também é consequência da obstrução de artérias. Mas, nesse caso, o fluxo de sangue que é bloqueado é na área do cérebro. Conhecido popularmente como derrame, o AVC, quando não causa a morte, pode deixar diversas sequelas incapacitantes, como problemas de fala, de memória e até paralisias. 

Na área dos tratamentos, a neurorradiologia intervencionista tem papel fundamental, com técnicas minimamente invasivas e de alta eficácia. "Costumamos realizar um cateterismo dos vasos cerebrais, no qual desobstruímos o vaso entupido e liberamos o fluxo sanguíneo", explica Dr. Eduardo Waihrich, neurorradiologista do ICTCor. Mas, mesmo com toda a tecnologia, o especialista garante que o principal fator para o tratamento dar resultados é o tempo, "O AVC acontece de forma súbita, muito rápida. Logo, deve-se priorizar o combate à doença com foco na prevenção. Após surgirem os sintomas, o ideal é que o paciente passe pelo procedimento nas primeiras seis horas", finaliza. 

Assim, nada melhor do que agir preventivamente, submetendo-se regularmente a consultas, exames e tratamentos especializados.

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