quarta-feira, 4 de março de 2020

Filme de diretora sobre a invisibilidade de gênero na história marca Dia da Mulher no Cine Brasília

Cine-debate exibe dois documentários da brasiliense Tânia Fontenele, que conversa com o público depois.



Tânia Fontenele com câmera. FOTO: HUGO BARROSO

Uma discussão sobre como registros históricos tornam invisíveis as atuações de mulheres em narrativas na vida nacional é o tema da sessão do Cine-debate, no domingo (08), Dia Internacional da Mulher.

O equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) vai exibir dois documentários da cineasta brasiliense Tânia Fontenele: “Mulheres do Café” (2018, 11 minutos) e “Poeira e Batom” (2010, 58 minutos), ambos com indicação livre. Os filmes tratam do tema da “invisibilidade feminina” a partir de acontecimentos distintos: a atividade econômica de agricultoras no norte de Minas e a construção da capital entre 1956 e 1960.

Em “Poeira e Batom”, Fontenele, que é pesquisadora de gênero e criou uma página na rede – “Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher” – sobre o assunto, entrevista 50 pioneiras que desempenharam diferentes papéis na construção da capital. “A gente ouve falar de JK, Niemeyer, Lúcio Costa e outros homens e se pergunta onde estavam as mulheres”, explica.

Economista com mestrado em Psicologia Social, a doutoranda defende uma tese em junho, na Universidade de Brasília (UnB), na linha de pesquisa da História “Memória e Identidade”, na qual discute o papel de depoimentos orais no resgate de acontecimentos importantes. A investigação, com recorte de gênero, fecha o foco na construção de Brasília.

Um esforço do mesmo tipo orientou também o outro documentário, sobre o papel secundário que mulheres ocupam numa lavoura de café. As lentes críticas de Tânia registram depoimentos de mulheres-mães-esposas, personagens reais, sofridas, que de desdobram entre muitas tarefas em ininterrupta jornada dupla.

Nas palavras de uma das agricultoras, na lavoura de café o trabalho é de 7h às 19h na colheita (ou “panha”), secagem, limpeza e ensacamento. Depois disso, é em casa, voltando a dar de comer a uma penca de filhos, às vezes na presença de um marido bêbado.

Tânia respondeu às perguntas da reportagem preparando o almoço, “que a ajudante está de férias”. Nos intervalos, fez contato com redes femininas na esperança de “lotar o Cine Brasília” no domingo. “Como é que uma mulher perde uma oportunidade destas?”, questiona de volta.

Serviço:
Cine-debate sobre o Dia Internacional da Mulher.
Debatedora: cineasta Tânia Fontenele; mediação do gerente do Cine Brasília, Rodrigo Torres.
“Poeira e Batom” (2010, documentário, 58 minutos, livre) e “Mulheres do Café” (2018, documentário, 11 minutos, livre)
Domingo, 8/03
Horário: 18h
Local: Cine Brasília (debate com a diretora será depois dos filmes no foyer do cinema)
Em razão do cine-debate, “Fotografação”, programado para o mesmo horário, não será exibido no domingo.
Entrada franca
Endereço: Asa Sul, entrequadra 106/107. Telefone: (61) 3244-1660.

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