Slow food: uma maneira de comer consciente, prazerosa e com qualidade

É possível perceber atualmente uma maior preocupação da população com a alimentação diária. A procura por produtos livres de agrotóxicos, por uma alimentação balanceada, seguidos pelo anseio por um corpo saudável, são as principais motivações que justificam essa preocupação. No entanto, a ideia já internalizada por muitos de que “tempo é dinheiro” não viabiliza o prazer do comer bem, tampouco proporciona tempo adequado destinado às refeições.


Diante desse cenário surgiu o slow food, que em tradução literal significa “comida lenta” e é um movimento internacional fundado em 1986 por Carlo Petrini, na Itália. O slow food se tornou uma associação internacional sem fins lucrativos em 1989, tendo como princípio básico o direito ao prazer da alimentação, utilizando insumos artesanais de qualidade excepcional, de forma respeitosa ao meio ambiente e aos produtores. Difundir essa ideia e colaborar com a oposição à padronização dos alimentos ao redor do mundo é o núcleo da associação, o que faz com que os compradores, ao estarem bem informados, tornem-se coprodutores.

Slow Food / Foto: Freepik


De acordo com Petrini (2009), não se trata apenas de consumir, mas de conhecer a produção, o produtor, apoiar um ao outro nas dificuldades, recusando o consumo de um alimento quando sua produção for insustentável ou equivocada. É preciso que o produtor se torne um “coprodutor”, um novo gastrônomo que não só aprecia o que é produzido, mas que agrega valor ao produto ao disseminar a prática boa, limpa e justa, assim como o seu comércio.


A aceitação dessa filosofia por outros países tem crescido ao longo dos anos, o que torna o movimento cada vez mais influente na agricultura e na ecologia mundiais. Essa influência se baseia na defesa de um legado culinário, suas tradições e sua cultura. Seguindo o conceito da Ecogastronomia, que devolve ao alimento sua grandeza natural, o slow food também motiva a percepção do gosto e luta pela preservação e pelo uso sustentável da biodiversidade.


Além disso, o movimento é voltado para a restituição do insumo sazonal, que retoma sua forma e gosto primordiais, motiva o consumo de produtos orgânicos e propicia valor aos pequenos produtores. Na defesa das espécies vegetais e das raças de animais, preserva o meio ambiente, a gastronomia regional, o prazer da alimentação, combate o uso da industrialização de insumos e difunde a informação sobre a origem dos alimentos ao consumidor.


Dessa forma, através de conhecimentos gastronômicos diretamente relacionados ao meio ambiente, à agricultura e à ecologia, o movimento se tornou uma voz ativa em todo o globo por meio de suas vertentes, eventos e iniciativas. São mais de 100.000 associados e mais de 1.000 convivas espalhados pelo mundo. Os convivas são representantes locais que constroem relações com os produtores, fazem campanha para proteger alimentos tradicionais, organizam palestras e degustações. No geral, cultivam o gosto pelo prazer e pela qualidade de vida.



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