Economia do cuidado

Talvez você nunca tenha escutado esse termo, mas com certeza conhece alguém que faz parte desse grupo ou até, talvez, seja você e ainda não percebeu. Economia do cuidado nada mais é do que as horas dedicadas, em especial pelo público feminino, para cuidados não remunerados, por exemplo: largar emprego fora para ficar com os filhos, marido sai para trabalhar e você fica por conta da casa, das roupas e por aí vai, envolvendo muito trabalho e dedicação de vida, mas que nem todos dão valor ou percebem como um trabalho, ficando essas pessoas invisíveis aos olhos dos outros.


Cuidar de Casa não é só coisa de mulher / Foto: Freepik

É visível, portanto, que precisamos urgentemente desvincular a ideia de que cuidar é coisa de mulher. Não à toa, mesmo quando faz uma escolha de carreira, ainda temos profissões ditas femininas que são as de assistência em saúde e educação. Cabe aqui citar a enfermagem, psicologia, cuidadora de idosos, pedagogas e etc. Infelizmente não dá para desvincular também a ideia de raça. Mulheres negras permanecem em maior número envolvidas nos cuidados domésticos que mulheres brancas. Temos tantas frentes para discutir em um só assunto que caracteres aqui seriam poucos.


Se você chegou até aqui nessa leitura e ainda acha que é besteira, vamos aos dados. Conhece o Vale do Silício? Região dos EUA, mais precisamente na Califórnia, abriga as maiores startups do mercado e grandes nomes de empresas na área de tecnologia, dentre elas o Google, Apple e Facebook. Você já consegue imaginar o tanto de dinheiro que circula nesse lugar, né, minha querida? Pois é, vou até colocar em parêntese pois essa informação merece ser acessada na íntegra: “o trabalho de cuidado não-pago feito por mulheres representa uma economia 24 vezes MAIOR que a do Vale do Silício” (Fonte: OIT/disponível em @thinkolga). Nas mãos de quem fica esse dinheiro que não vai para elas/para nós?


Precisamos urgente de culturas empresariais que levem em consideração a equidade de gênero nas empresas, precisamos umas das outras para apoio e, mais ainda, de incentivo para que estas alcancem lugares até então inimagináveis, na educação, na saúde, na engenharia ou qualquer outra área, porque lugar de mulher, meu amor, é onde ela quiser!


Eu ouvi um OK do meu exército aí?


Débora Porto

Formada em Psicologia e especialista em Saúde da Mulher. Doula e Educadora Perinatal. Empreendedora e psicoterapeuta de mulheres e famílias. email facebook instagram

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