Junk Food: entenda o seu perigo!

As transformações na produção de alimentos e no ato de comer refletem o ritmo acelerado atribuído ao estilo de vida moderno. A rotina agitada de grande parte da população leva as pessoas a dedicarem pouco tempo ao preparo de alimentos. Por esse motivo, o consumo de produtos com baixo índice nutricional acaba se tornando mais acessível e, consequentemente, há uma maior procura por alimentos industrializados em decorrência dessa falta de tempo aliada ao stress cotidiano.


Antigamente, todo o alimento plantado era colhido e rendia inúmeros pratos prazerosos e saudáveis. No contexto urbano atual, esse ritual tem se perdido, pois as pessoas dedicam grande parte do dia a seus trabalhos, enquanto o tempo adequado para as refeições acaba sendo preenchido com outras atividades.


Essa mudança evidentemente favoreceu alterações no padrão alimentar que nem sempre correspondem ao ideal. Independentemente de classe social, idade ou sexo, o número de pessoas acima do peso e/ou com problemas de saúde relacionados à alimentação inadequada se tornou perceptível. Esta não está essencialmente associada à alta ou à baixa ingestão de alimentos, mas ao consumo insuficiente dos nutrientes necessários para uma maior qualidade de vida. 


Considerando esse cenário, podemos identificar um novo padrão ou tendência alimentar chamada de junk food. Explicar o significado do termo junk food pode ser complexo, embora possa ser traduzido como “comida lixo” ou “comida não saudável”. No geral, esse tipo de alimentação é rico em calorias e apresenta níveis reduzidos de nutrientes, frequentemente contendo altos níveis de gordura saturada, sal, açúcar e inúmeros aditivos alimentares, além de ser carente em proteínas, vitaminas e fibras. Este é o caso dos chamados “salgadinhos” industrializados, que se tornaram muito comuns no consumo da sociedade moderna, de sabores e cores variados, pouca ou nenhuma necessidade de preparo, forte apelo visual e de fácil acesso no mercado.


Junk Food / Foto: Shutterstock


Outros produtos industrializados que também se enquadram no conceito de junk food são bombons, bolachas, sorvetes, tortas, lasanhas congeladas, molhos prontos, sanduíches e refrigerantes. Esses alimentos e bebidas costumam ser consumidos diariamente e em grande quantidade. Uma das principais consequências de se ingerir esse tipo de comida é que quanto maior o seu consumo, menor a probabilidade de se seguir uma dieta saudável e consumir a quantidade recomendada de vitaminas e minerais essenciais.


Esse padrão alimentar está associado a diversas doenças, como obesidade, diabetes, hipertensão, entre outras, que podem, inclusive, atingir o público infantil. Segundo nutricionistas, a indústria da junk food veicula propagandas irresistíveis que tornam os consumidores vulneráveis e os mantêm como prisioneiros dos produtos, mesmo cientes da epidemia de doenças relacionadas a dietas pobres em nutrientes e ricas em sal, açúcar e gordura. Os métodos de venda desses produtos não se limitam apenas às características organolépticas do alimento, como o sabor e a textura, mas também consideram de que modo homens, mulheres e crianças são vulneráveis a esse tipo de comida.


A definição de comida não saudável pode ser equivocada, pois é preciso considerar influências de classe, cultura e julgamento moral. Por exemplo, alguns alimentos tradicionais de diferentes etnias como o falafel (bolinho de grão de bico, típico da cozinha árabe), o gyoza (típico da culinária chinesa) ou o acarajé (bolinho de feijão fradinho, frito em azeite de dendê, típico da cozinha baiana) são altamente calóricos e ricos em gordura por serem fritos, mas não costumam ser considerados junk food. De maneira semelhante, os cereais matinais comuns nos Estados Unidos são tradicionalmente considerados saudáveis, mas podem conter altos níveis de açúcar, sal e gordura.


No caso do Brasil, redes populares de fast-food que comercializam hambúrgueres com batatas fritas ou pizzas são consideradas junk food, o que de fato são. No entanto, os mesmos produtos vendidos em estabelecimentos frequentados pela elite, como hamburguerias artesanais ou pizzarias sofisticadas, não são assim considerados, mesmo que possuam o mesmo conteúdo nutritivo ou até inferior.


Fast-food é sinônimo de junk food?

Não necessariamente. O conceito de fast-food abrange comidas preparadas em pouco tempo, e não obrigatoriamente comidas sem algum tipo de valor nutricional. É possível, mesmo com pouco tempo para fazer uma refeição completa, optar por comidas nutritivas, como saladas ou sanduíches nutritivos em um fast-food saudável, em vez de buscar alimentos considerados junk food.

Fábio Salvador

email facebook instagram Formado em Administração e pós graduado em Marketing Digital, Gastronomia Internacional, Gastronomia Brasileira e Gastronomia e Ciência dos Alimentos. Amante da gastronomia e aspirante de Confeitaria.

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