LEIA ISSO ANTES DE FAZER A SUA PLÁSTICA DOS SONHOS

Se você é da tribo do “fé no pai que o silicone sai” esse post é pra você. Não cabe a ninguém fazer julgamentos, mas antes de uma decisão séria sobre qualquer procedimento estético, principalmente se for cirúrgico, precisamos de algumas reflexões.


A Vênus de Willendorf no Museu de História Natural de Viena - Museu de História Natural de Viena/AFP


Primeiramente, você sabia que esse ódio aos corpos ou “até gosto, mas se eliminar essa gordurinha aqui vai ficar perfeito” te foi ensinado? Pois é, minhas amadas, o ódio aos corpos foi fabricado e tão naturalizado que você simplesmente acha que está pensando por si só e querendo resolver uma questão individual. Esse talvez seja o maior fardo que você possa carregar e nem sabe.


Se fôssemos analisar os livros de história veríamos que o corpo com aquelas “gordurinhas a mais” já foi tendência, assim como depilação, corpos magros, altos, baixos… cada um no seu tempo. Hoje impera o padrão da mulher magra e loira, mais próximo do europeu caucasiano e fortalecido pela indústria do emagrecimento e sucesso das musas fitness. A indústria da moda ou daquilo que desperta o desejo masculino dita e muito como devemos proceder com nós mesmas.


Aquele corpo da modelo se tornou a referência de padrão que boa parte das mulheres desejam, mas não possuem dimensão do quão inalcançável é esse objetivo, fabricando em quem não o tem uma baixa estima. Quanto mais “pra baixo”, mais se lucra. As nossas inseguranças se tornaram, na verdade, um grande mercado a ser explorado e de forma sutil para que você não consiga questionar e ainda dar risadas da própria desgraça. 


Todo mundo já viu um meme dizendo que “mulher não envelhece, enloirece” ou “mulher sempre tem uns 2kg pra perder” e por aí vai. Aí num dia você ri, no outro você passa a pular refeições, na semana seguinte você passa horas na academia e na outra você vomita após uma refeição, porque, afinal, você comeu demais. No mês seguinte sua meta inicial já foi atingida, mas logo você pensa “mais 2kg fica muito melhor”, daí você emagreceu 10kg e sua visão ainda não acompanhou sua imagem no espelho. A frustração é forte, você fica ansiosa e um pouquinho deprê, faz umas massagens, cirúrgias plásticas e etc, nada muda, você passa a não querer sair da cama e vem um combo de medicamentos que não estavam nos planos. Às vezes toma, às vezes não. Pode ser que você parta pro oposto e coma sem parar, chegando ao sobrepeso e potencializando o sofrimento. Vida social? Não mais. Relacionamentos? Não consegue. Até que a morte chegou e você passou despercebida.


Ok, pode ser que o universo dos transtornos de imagem e alimentares não sejam sua realidade (AINDA), mas poderá ser. É sempre assim quando se trata das nossas inseguranças, afinal, mulher que se ama e aceita do jeito que é não é nada lucrativa. O lucro é alto com quem se odeia. Já imaginou quantos serviços iriam à falência se aprendêssemos a nos amar um pouco mais? 


Percorrer a via do autocuidado e autocompaixão é o caminho mais completo para que você consiga desprender dessas amarras. Não há problema em realizar nenhum procedimento se você sentir que assim deve proceder, mas antes de tomar uma decisão como essa não esqueça de questionar de onde esse desejo vem. Entendendo isso, sinta-se livre para realizar o que bem entender. Numa sociedade que lucra com nossas inseguranças, gostar de si mesma é um ato de rebeldia.


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