Os impactos da Pandemia na saúde mental dos brasileiros

Na última semana acompanhamos, perplexos e consternados nos noticiários o drama provocado pelo desabastecimento de oxigênio em Manaus. Mais um acontecimento trágico nesse contexto pandêmico que alterou o rumo das nossas vidas e que tem impacto direto na nossa saúde mental. Psicólogos voluntários vêm desde o início da Pandemia ofertando acolhimento virtual gratuito e após milhares de atendimentos já é possível mapear alguns dos impactos da pandemia na saúde mental da população brasileira.


Impacto da Pandemia na saúde mental / Foto: Freepik

Inicialmente, os sentimentos mais comuns frente ao anúncio da pandemia eram medo e ansiedade, motivados pela preocupação de ser contaminado ou ter alguém amado na mesma situação, seguido pela sensação de insegurança  e impotência com relação ao futuro, levou muitos à primeira experiência de adoecimento mental.


E aqueles que já eram diagnosticados com algum transtorno tiveram seus quadros psíquicos agravados. Em um segundo momento, o isolamento social imposto pela quarentena, intensificou os sentimentos de  angústia frente as incertezas, com muitos casos de pânico diagnosticados, levando muitos a terem seu primeiro contato com profissionais de saúde mental, psicólogos e psiquiatras, que viram crescer expressivamente o número de atendimentos, especialmente na  modalidade on-line. A manutenção desse estado de tensão, no qual viver ameaçado por um vírus exigiu de nós um monitoramento constante (uso de máscara, álcool em gel e distanciamento social) cuidados que alteraram completamente nosso cotidiano. 


As desordens psíquicas então se agravaram, a depressão e os Transtornos de Ansiedade se intensificaram. Com toda essa tensão foi percebido um aumento no uso de álcool e outras drogas, assim como um boom nos casos de violência doméstica, especialmente contra mulheres e crianças. Com a fase da flexibilização, veio o alívio da pressão sofrida durante o lockdown, o sentimento de esperança se fortaleceu com a notícia do desenvolvimento de uma vacina.


O medo e a ansiedade iniciais dão lugar a uma postura de negação da realidade. Com os pretextos de "estar cansado", "não aguento mais" e "preciso relaxar" os perigos da Covid-19 foram minimizados, dando lugar a eventos com aglomeração, encontros familiares aparentemente inofensivos e arriscadas comemorações de fim de ano. Muitos não suportaram o desconforto e as privações impostos pela presença do vírus entre nós, e relaxaram nos cuidados. Atualmente, em plena segunda onda da pandemia, muitos brasileiros estão lidando com traumas e lutos mal elaborados, além dos sentimentos de medo e ansiedade que voltaram com força total.


O adoecimento mental ganhou destaque e deve ser tratado como prioridade por empresas, governo e sociedade em geral. Teremos que lidar com as consequências imediatas e a longo prazo que a pandemia impõe a  saúde mental da população. O cuidado com a saúde mental começa por você! Se você está passando por um intenso sofrimento mental que compromete a execução de suas atividades cotidianas e/ou a sua qualidade de vida, ou ainda se todo esse contexto de pandemia e seus desdobramentos têm mobilizado em você pensamentos e sentimentos com os quais você não sabe lidar, você pode: recorrer a ajuda de profissionais de saúde mental, psiquiatras e psicólogos; Buscar apoio psicológico nos Centros de Atendimento Comunitário das faculdades públicas e particulares; Ligar para o Centro de Valorização da Vida - CVV (188) - que realiza atendimentos de apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuito e 24h  por dia; Buscar por escuta profissional e gratuita no www.ExperienciaDeEscuta.com.br. Cuide-se! Você não precisa sofrer sozinho, busque ajuda profissional e acesse sua rede de apoio. Sua saúde mental agradece.

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