Conheça o Kosher Food: a dieta religiosa

A cultura de determinada civilização pode estabelecer o que é e o que não é comida, já que aos alimentos são atribuídos valores culturais, que podem subsequentemente ser absorvidos ou rejeitados segundo regras peculiares. De acordo com Carvalho e Luz (2011), comer é uma ação sólida de agrupamento, tanto de alimentos como de seus significados, embasada por trocas simbólicas, abrangendo vários elementos e de agregações capazes de expressar e solidificar a posição de um indivíduo em suas relações cotidianas. 


De forma resumida, o ato de comer atinge o indivíduo em questões físicas e psicológicas, uma vez que institui a quantidade e a qualidade daquilo que se come, além de designar prescrições e proibições. Esse é o caso das dietas religiosas, que representam um elemento da identidade social, concebendo e reforçando seus valores.


Kosher Food / Foto: Divulgação

A Kosher Food é um exemplo de dieta religiosa. Também conhecida como casher ou kasher, o termo significa “apropriado”, “adequado”. É o termo utilizado para nomear alimentos que estão de acordo com as normas da dieta milenar da Torá, seguida pelos judeus e preparada de acordo com as leis judaicas (cashrut ou kashrut).


Entretanto, a kosher food se aplica a outros grupos além de judeus, como os adventistas ou aqueles que buscam um selo de qualidade, pois os alimentos kosher seguem normas milenares de alimentação e são controlados e fiscalizados por supervisores rabínicos, o que lhes confere maior confiabilidade diante dos consumidores.

Certificado Kosher Food

Além disso, vários aspectos são levados em consideração, o que inclui a forma com que o alimento é preparado, como não misturar o leite com a carne (de qualquer espécie, bovina, ave, peixe e outros). Os alimentos à base de carne são cozidos, manuseados e consumidos separadamente daqueles à base de laticínios. Ademais, é estabelecido um período de espera de seis horas após ingerir todos os tipos de carnes e aves antes que algum laticínio possa ser consumido.


A carne ingerida deve ser de um animal que rumina e possui cascos fendidos, conforme indica a Torá. Vacas, carneiros, cordeiros e cabras estão incluídos. Entre as aves, estão incluídas as espécies domésticas de frangos, patos, gansos e perus. O consumo do sangue do animal não é permitido, pois este equivale à própria vida da criatura, por estar ligado a sua alma. O animal ou ave deve ser abatido e examinado de acordo com as normas alimentares da Torá por um shochet (judeu que abate animais). Todos os utensílios devem ser kosher.


Essa dieta considera também os alimentos neutros, chamados de pareve ou parve, aqueles que podem ser utilizados sem restrições. Encaixam-se nessa categorização os alimentos que não contêm carne, leite ou derivados, como os produtos que crescem na terra e seus derivados (vegetais, grãos e frutas).


Os ovos são parve e devem ser provenientes de aves kosher e não conter nenhum sinal de sangue. Peixes de mares e rios também se enquadram, desde que possuam nadadeiras e escamas. Frutos do mar, como camarão, lagosta, ostra, caranguejo e outros, são proibidos.


Conforme visto, são várias as regras para manter a tradição da dieta kosher, o que implica colocar em prática uma complexa lista de leis e costumes, além de ter muita disciplina para não violar nenhuma delas. Questões relativas ao tempo também são levadas em consideração, como a proibição da ingestão de alimentos cozidos aos sábados. 


É importante alertar para o fato de que a kosher food e tudo o que envolve o kashrut não é um estilo de culinária. A comida asiática, como a japonesa e a indiana; a comida europeia, como a francesa e italiana, inclusive a comida árabe ou qualquer outra podem ser kosher, desde que preparadas de acordo com as leis do judaísmo. Além disso, a cozinha habitual judaica pode ou não ser kosher, pois devemos também distinguir a kashrut e a cozinha típica. A comida judaica é amplamente variada, tendo como base o arroz, a lentilha, peixes, nozes e o mel. Qualquer livro de receitas israelenses contemporâneo inclui dezenas de receitas de hortaliças. Os judeus viveram em todas as partes do mundo e adaptaram com sucesso os pratos de muitos países para os requisitos da kashrut

Fábio Salvador

email facebook instagram Formado em Administração e pós graduado em Marketing Digital, Gastronomia Internacional, Gastronomia Brasileira e Gastronomia e Ciência dos Alimentos. Amante da gastronomia e aspirante de Confeitaria.

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