Inteligência emocional é a bola da vez

Para quem trabalha com a 'psiquē' entender que inteligência não é definida só pelo nível de seu conhecimento técnico não é nenhuma novidade. Embora citado na literatura por diversos autores, foi em 1995 que Daniel Goleman lançou uma obra popularizando o termo INTELIGÊNCIA EMOCIONAL que, resumidamente, diz ser a maneira que você é afetado por determinada situação e lida com as emoções também é tão relevante quanto (ou mais) o conhecimento empírico. 

Inteligência emocional / Foto: Freepik


Exemplo: não adianta você ser uma expert em manutenção de computadores se você não sabe gerir uma equipe, criar aliança com outros funcionários e ter uma relação com o cliente, sabendo se portar ou acolher verdadeiramente o que eles querem. Se abrir uma empresa nesse ramo, isso pode te levar ao fracasso (seus clientes não vão se simpatizar com você, os funcionários ficarão infelizes e por aí vai). Esse exemplo do mundo do trabalho foi proposital porque foi aí que as coisas andaram e desandaram ao mesmo tempo.


Observou-se que pensar sobre isso pode ser de grande valia numa contratação pela multiplicidade de qualidades num único servidor, minimizando diversos problemas de produção. Como falei, essa definição é antiga, mas como se tornou popular a partir de Goleman, adotaram sua "teoria" como revolucionária e a chave de tudo sem CRÍTICAS, muitos a aplicando de forma irresponsável e sem preparo, o que é pior ainda. AÍ VEM DESANDANDO TUDO! Sobre isso vale a pena tomar nota:

× A quem serve essa valorização como um único remédio para o mal estar social?

× Em seu trabalho ele não mostra claramente a metodologia de seus estudos, podendo ter abertura para um resultado por conveniência. 

× O nível socioeconômico NÃO é levado em consideração, o que dá margem pra gente começar a pensar na resposta da primeira questão. 

× Subestima em vários momentos o contexto sociocultural, valorizando e muito o biológico. 

× Critica testes psicológicos mas se ampara neles para defender seu pensamento. Assim como os termos acima quando lhe convém (lembra da ausência de explicação da metodologia?)

× É praticamente impossível pensar em psiquē e resposta única numa mesma frase, ideia na qual ele também deixa subentendida. Porém, comercialmente, aponta como a ÚNICA possibilidade de transformação pessoal.

× Afirma a possibilidade de se aliar à educação e começar a trabalhar o tema desde a infância (👍🏼) mas não explica como.


Logo... sua maior contribuição, na verdade, é a sistematização de diversas ideias existentes (sim, sou repetitiva) e é isso. É possível trabalhar essa competência e desenvolvê-la SEMPRE, mas é de extrema necessidade se apoiar em outros autores. Se este conceito não for tratado de modo a abarcar as questões socioculturais e socioeconômicas ele NÃO servirá nunca. No máximo cria um bando alienado que depois vem tratar a burnout. - se eu posso deixar um conselho que sirva - VÁ APRENDER A LIDAR COM AS FRUSTRAÇÕES E COM O FATO DA VIDA NÃO SER O MAR DE ROSAS. É vivendo que se constrói esses "anticorpos" salvadores da pátria. Aproveitem e não confiem em "passo a passo", só palestras ou só cursos de finais de semana. Pode até ser uma porta de entrada, mas vai ter que fazer mais que isso.


E por aqui eu vou ficando, não teremos passo a passo como desenvolver essa habilidade ultra-mega-power para ser "uma pessoa de sucesso" com o único objetivo de ganhar seu dinheiro, mas os consultórios estarão sempre abertos para aqueles que desejam se responsabilizar pela própria arte de viver.


PS: Acredito nessa competência, mas acredito sobretudo no uso responsável dela. E podem deixar, quando houver uma dica realmente eficaz eu venho compartilhar.


Débora Porto

Formada em Psicologia e especialista em Saúde da Mulher. Doula e Educadora Perinatal. Empreendedora e psicoterapeuta de mulheres e famílias. email facebook instagram

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem