Ação contra mortes fetais e infantis em Santa Maria

Foto: Davidyson Damasceno/Iges-DF
A pesquisa não tem objetivo punitivo ou investigativo. Ela é feita por representantes do hospital em parceria com a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde (SES), por meio de uma coleta de dados | Foto: Davidyson Damasceno/Iges-DF


Evitar mortes de fetos e crianças e apontar melhorias no serviço de saúde pública. Essa é a missão do Comitê de Prevenção e Controle de Óbito Materno Fetal e Infantil do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM).


Com objetivo preventivo, o grupo investigou 66 óbitos de fetos (gestação acima de 22 semanas) e infantis (crianças até 1 ano de vida), contabilizados de 2019 a 2020 no HRSM. Foi constatado que as principais causas de morte estão interligadas a problemas de saúde da mãe, como hipertensão e infecções, e a malformações do feto.

 

“Por essa discussão, verificamos possíveis falhas durante o processo de gestação e propusemos soluções e/ou adequações para que casos semelhantes não ocorram” Rodrigo Dutra Milholi, coordenador do Comitê de Prevenção e Controle de Óbito Materno Fetal e Infantil


“Por essa discussão, verificamos possíveis falhas durante o processo de gestação e propusemos soluções e/ou adequações para que casos semelhantes não ocorram”, explica o coordenador do comitê, Rodrigo Dutra Milholi.


A pesquisa do comitê de óbitos infantis no HRSM não tem objetivo punitivo ou investigativo, segundo o coordenador Rodrigo. Ela é realizada pelos representantes do hospital em parceria com a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde (SES), por meio de uma coleta de dados, dividida em três etapas:



• Análise ambulatorial, a partir de dados do pré-natal da grávida;
• Análise hospitalar, pelos dados do prontuário;
• Consulta domiciliar.


“Depois dessas investigações, a gente reúne o comitê e discute se houve falhas. Se sim, verifica-se o que poderia ter evitado o óbito”, comenta o médico.


A recomendação é que o estudo comece em 120 dias da data de cada óbito. Durante a reunião, registrada em ata, é exigido que se tenha pelo menos um ginecologista, um neonatologista e um representante da atenção primária para avaliar os protocolos e as necessidades de cada situação.


Ao fim da análise, o documento é encaminhado para a SES, para registro no sistema. “A conclusão da investigação, porém, não altera o dado registrado na causa da morte emitida na certidão de óbito da vítima”, explica. “Os dados que apuramos servem exclusivamente para apontar o que podemos melhorar no serviço de saúde”, acrescenta Rodrigo Milholi.



Óbitos maternos

Além dos óbitos fetais e infantis, o comitê investiga a causa de morte de mulheres em idade fértil até 49 anos. “O objetivo é verificar se houve algum óbito materno camuflado”, explica o coordenador.


De 2019 a 2020, o grupo averiguou que, dos 26 óbitos registrados de mulheres em idade fértil registrados no HRSM, nenhum foi configurado como óbito materno. O levantamento foi confirmado pelas análises hospitalar e ambulatorial, além da consulta domiciliar. “Se em uma das etapas da investigação o óbito materno for descartado, não há necessidade de verificar a evitabilidade, as falhas e os problemas”, finaliza o médico.


*Com informações do Iges-DF



Fonte: Agência Brasília

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