Violência contra meninas e mulheres é tema de debate

A delegada aposentada Ana Cristina (à direita) e o questionário simulado: e se fosse com os homens? | Reprodução

Na sequência da Semana da Mulher do Centro da Juventude, a Secretaria da Juventude (Sejuv) promoveu, na terça (9), um bate-papo on-line sobre enfrentamento à violência contra meninas e mulheres. O evento foi produzido em parceria com o Clube Soroptimista Internacional Brasília Norte Sul.

“Ainda temos muitos casos de violência contra a mulher, mas o trabalho que é feito hoje tem surtido resultado, e não podemos parar” Ana Cristina Melo Santiago, delegada aposentada

O encontro foi coordenado pela delegada aposentada Ana Cristina Melo Santiago. Especialista em Segurança pública e Política criminal e penitenciária pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), ela já atuou em unidades da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública do DF, além de ter dirigido a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Ana Cristina é cofundadora do RevEllas, um espaço com olhar especializado e no atendimento de mulheres e vulneráveis que propõe ações para o enfrentamento das fragilidades, de forma presencial e on-line.

Como convidados, participaram ainda do evento a presidente do Clube Soroptimista Internacional Brasília Norte Sul, Maria Alsimar Mello, e o deputado Delmasso, vice-presidente da Câmara Legislativa do DF (CLDF).

Conscientização e apoio

Na abertura, Ana Cristina falou sobre sua trajetória como delegada da Polícia Civil e relatou a experiência na resolução de casos de mulheres vítimas de diversos tipos de violência. Citou o que avalia na sociedade como uma cultura enraizada que inferioriza a mulher e mostrou trechos de músicas conhecidas que verbalizam a prática de agressão contra o sexo feminino, mas destacou que o interesse em mudar essa realidade cresceu.

“Contamos com uma legislação que ampara a mulher e com inúmeras ações por partes de organizações da sociedade civil que também trabalham em prol da conscientização e apoio a vítimas”, disse. “Claro que ainda temos muitos casos de violência contra a mulher, mas o trabalho que é feito hoje tem surtido resultado, e não podemos parar.”

“Saibam do seu valor, da sua importância e que vocês merecem ser amadas e respeitadas” Deputado Delmasso

Durante o encontro virtual, a psicóloga Andréia Arruda e a assistente social Eliane Salzano, da equipe psicossocial do Centro de Juventude, também relataram a vivência adquirida no atendimento a vítimas de violência. Na opinião de Andréia, a responsabilidade pelo combate à violência contra meninas e mulheres é de toda a sociedade.

“Se nós mulheres somos as vítimas, precisamos buscar ajuda”, lembrou. “Se conhecemos alguém que sofre qualquer tipo de agressão, é fundamental denunciar, independentemente de sermos mulheres ou homens.”

E se fosse com os homens?

Foi compartilhado ainda um vídeo que relata uma história de agressão, mas de forma invertida. Aqui, o homem é a vítima de sucessivas investidas de assédio, desrespeito e descrédito apenas por ser do sexo masculino e supostamente viver em um mundo onde as mulheres são as agressoras e têm esse comportamento reforçado por em uma sociedade que o considera “normal”. Situações hipotéticas, mas que merecem ser discutidas.

Na sequência, foi aberto um espaço para que as pessoas participantes pudessem falar sobre sua percepção a respeito do vídeo apresentado. Houve troca de opiniões e experiências e um convite à reflexão para que a sociedade reveja os conceitos acerca de comportamentos de agressão contra as mulheres.

“Não deixem nunca, nada e nem ninguém fazer vocês acreditarem que não merecem o melhor, porque vocês merecem tudo aquilo que os seus sonhos lhes permitem alcançar”, declarou o deputado Delmasso, parceiro de várias ações da Sejuv. “Não aceitem menos do que isso. Saibam do seu valor, da sua importância e que vocês merecem ser amadas e respeitadas.”

 

*Com informações da Secretaria de Juventude



Fonte Agência Brasília

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