Cai quarto ministro de Saúde do Equador após 19 dias no cargo

O atraso da vacinação de idosos em Quito, capital do Equador, é apontada como a principal razão para a demissão do ex-ministro de Saúde Mauro Falconí, apenas 19 dias após assumir o cargo.

O desligamento foi anunciado pelo presidente equatoriano Lenín Moreno no Twitter, nesta quinta-feira (8).

 

Na última quarta (7), foram registradas filas imensas em diversos pontos da cidade, e idosos precisaram esperar por horas para serem vacinados. Autoridades sanitárias também informaram que vacinas erradas foram distribuídas nos centros de aplicação.

Falconí é o quarto ministro da Saúde a assumir o cargo desde o início da pandemia no Equador.

O país soma 339,6 mil casos de covid-19 desde março de 2020, segundo balanço do Our World in Data, plataforma coordenada pela Universidade de Oxford.

Somente 1,3% dos 17,6 milhões de equatorianos foram vacinados com ao menos uma dose. Como comparação, no Brasil, que também segue a passos lentos o Plano Nacional de Vacinação, 8,87% da população recebeu algum imunizante contra a covid-19.

Quarta baixa na pasta da Saúde

No dia 19 de março, um escândalo de desvio de vacinas levou à renúncia de Rodolfo Farfán, ministro da Saúde anterior a Falconí.

A renúncia ao cargo ocorreu horas depois da revelação de uma suposta lista de vacinas "VIP", um esquema que oferecia o imunizante contra o novo coronavírus a empresários e representantes do governo.

Seriam 8 mil doses aplicadas de maneira irregular ao ministro de Defesa Oswaldo Jarrín, assessores pessoais do presidente Lenín Moreno e à primeira-dama, Rocío González.

As denúncias de desvio dos imunizantes também foram o motivo da renúncia do antigo ministro de Saúde, Juan Carlos Zevallos, que abandonou o cargo e o país no dia 26 de fevereiro com destino a Miami, nos Estados Unidos.

Reportagens investigativas acusam que desde janeiro o governo facilita o acesso do imunizante a funcionários e empresários da sua base de apoio.

Caos na saúde e eleições presidenciais

A quarta troca ministerial acontece às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, que acontecem no próximo domingo (8).

A disputa está dividida entre o candidato de direita, o banqueiro Guillermo Lasso, e o economista Andrés Araúz, apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa.

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Araúz, da União pela Esperança, lidera todas as pesquisas de opinião com 34% a 37% das intenções de voto. Já Guillermo Lasso, do aliança Creo, acumula de 27% a 30%.

Nos últimos dias, o candidato de esquerda recebeu apoio do presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), do Conselho de Povos e Organizações Indígenas Evangélicas (Feine) e de 65 organizações que compõem o coletivo "Frente ao Ambiente".

Cerca de 20% do eleitorado ainda não decidiu quem irá escolher no próximo domingo. Para buscar esse voto, os dois candidatos percorrem o país, que agora possui oito das suas 24 regiões em estado de exceção por conta da pandemia de coronavírus.

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Na última quinta-feira (1º), o presidente Lenin Moreno determinou estado de exceção por um mês nas províncias de Azuay, El Oro, Esmeraldas, Guayas, Loja, Manabí, Pichincha e Santo Domingo de Tsáchilas, e toque de recolher das 20h às 5h, durante os dias 2 a 9 de abril.

A medida foi uma sugestão do Comitê de Operações de Emergência Nacional (COE), no entanto, não altera o calendário eleitoral.

Denúncias de fraude eleitoral

Segundo reportagem do jornal Página 12, que ouviu uma fonte da diretoria do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), um plano de tentativa de fraude eleitoral estaria sendo executado no país.

A suposta manobra estaria sendo prepara pelo candidato Guillermo Lasso e por Jaime Nebot, líder do Partido Social Cristão.

Os dois estariam em contato com conselheiros do CNE que executariam diferentes ações em províncias, como mudar diretores, pessoal técnico e sugerir nomes de aliados de Lasso como funcionários em lugares-chave do processo eleitoral.

A fraude se daria por duas vias: nas mesas de votação e nos centros de digitalização. O primeiro caso durante o dia de votação e o segundo no momento da recontagem dos votos.

"Podem modificar de 1,3 a 1,5 milhões de votos" com a combinação de diferentes mecanismos de fraude, explica a fonte, que optou por não se identificar por medo de represálias.



Fonte: Brasil de Fato

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