Tempos de crise

    Há um ano o mundo convive com uma crise sanitária - a pandemia de Covid-19 - e a partir dela podemos observar um efeito cascata, no qual outras crises eclodem simultaneamente: econômica,  política, comportamental, emocional e humanitária. Estamos vivendo um momento em que além de administrar nossas crises pessoais temos que lidar com as consequências destas outras pelas quais invariavelmente também somos afetados. Em terras brasileiras estamos sendo testados em todas estas dimensões críticas. Tempos de crise são realmente desafiadores e cada um deve acionar suas estratégias para manter a serenidade.

    Em termos comportamentais é notório que a resposta das pessoas em relação à segunda onda da pandemia, não é mais homogênea. Enquanto uns seguem respeitando o isolamento social e os cuidados recomendados, outros parecem ter decretado por conta própria o fim da pandemia e seguem propagando o negacionismo e praticando a falta de consciência coletiva. Rejeitando adaptar-se à nova realidade, que nos impõe transformações radicais no trabalho, nas relações sociais, na educação e no consumo.

    Toda crise tem o poder de evidenciar aspectos fortes e frágeis de uma sociedade frente   às adversidades. O nosso famoso "jeitinho brasileiro" mostrou sua fase mais obscura e vergonhosa personificada pelos "fura-fila da vacina", por exemplo. Mas, como não somos definidos socialmente somente por este "jeitinho", presenciamos também demonstrações de solidariedade em forma de doações, e ajuda a vizinhos. E como a alegria também faz parte da nossa identidade social, tivemos e ainda temos músicas nas janelas e nas redes sociais, ou seja, nossa arte e nossa cultura nos aliviam em muitos momentos.

fonte: (Imagem da Internet)
    
Em tempos de crise onde tudo à nossa volta parece instável, é normal e completamente compreensível que em muitos momentos sejamos tomados de impaciência, frustração, medo e outros estados emocionais legítimos e coerentes com o contexto, mas o que de fato merece nossa atenção é a forma como lidamos e reagimos a estas emoções. Elas não devem se juntar à
 irresponsabilidade de muitos para justificar a adoção de comportamentos de risco que só agravam esse contexto de crise que assola nossa sociedade. Na esfera coletiva não estamos conseguindo agir com equilíbrio nesse momento de caos, mas na esfera individual vale a reflexão: Como estou enfrentando essa crise? Como tenho contribuído para o coletivo? O que minhas estratégias dizem de mim? Preciso de ajuda?

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