Aluno especial vai da escola pública ao ensino superior

Aos cinco anos, o estudante Luís Felipe Salles foi diagnosticado com TEA, mas superando suas limitações, hoje ele cursa Jornalismo.

Luís Felipe que hoje faz faculdade, estudou no CED 01 do Riacho Fundo II | Foto: Arquivo Pessoal

Há 14 anos, Luciene Lima recebeu a notícia que mudaria sua vida e de sua família: o filho Luís Felipe Salles, então com apenas cinco anos, foi diagnosticado com o transtorno do espectro autista (TEA). Segundo o professor Vagner Henrique de Melo, do Centro Educacional 01 do Riacho Fundo II, que atende Alunos com Necessidades Educacionais Especiais (Anee), o TEA “é um espectro como se fosse um arco-íris. É dividido em graus mais graves, medianos ou mais leves e, geralmente, eles têm muita dificuldade de interação social”, explica.

No episódio desta semana do podcast Educa DF , a Secretaria de Educação conversa com o Luís Felipe, hoje com 19 anos, que estudou no CED 01 do Riacho Fundo II, onde também era atendido pelos professores que atuam na Sala de Recursos, destinada a alunos com necessidades especiais. Ele fala como tem superado as limitações decorrentes do TEA e o ingresso no curso universitário dos seus sonhos. Confira nas plataformas de áudio.

“Nunca desistam não se deixem levar pelas críticas. Persistam. E aproveitem as oportunidades” Luís Felipe Salles, universitário

Luciene teve que lidar com o preconceito, escolas que não sabiam lidar com as limitações do filho e seus próprios temores. Hoje destaca a importância do apoio da família, o apoio psicológico de um profissional e a conscientização de que autismo não é sinônimo de incapacidade. “Às vezes, eles são mais capazes que outras pessoas que não desenvolveram seu potencial”, alerta.

Sonhos realizados

Desde cedo, Luís Felipe tinha o sonho de se tornar jornalista. Há um ano e meio ingressou na faculdade de Jornalismo e pensando no futuro, já treina reportagens, grava vídeos e interage nas redes sociais. “Gosto de fotografia, então publico no instagram. É bom fazer amigos, conhecer pessoas novas, ver os stories dos amigos”, destaca.

Quanto ao preconceito contra as pessoas com TEA ele afirma que é preciso respeito, já que ninguém é melhor que ninguém. “Nunca desistam não se deixem levar pelas críticas. Persistam. E aproveitem as oportunidades”, enfatiza.

Superando as limitações

A Secretaria de Educação atende os estudantes com TEA em classes inclusivas nas escolas regulares ou oferece atendimento educacional especializado em Sala de Recursos no horário contrário ao turno de aula regular. Também são realizados atendimentos nos 13 Centros de Ensino Especial (CEE), destinados aos estudantes com comprometimentos mais graves.

No ensino público do DF, estudantes com TEA podem ficar em classes inclusivas ou receber atendimento especializado em Sala de Recurso | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O sucesso de Luís Felipe não é um caso isolado na rede pública de ensino do DF. O professor Vagner que atua na pasta desde 1998 e, há 10 anos, trabalha com estudantes com necessidades educacionais especiais coleciona histórias de êxito e se lembra de um estudante com paralisia cerebral que ingressou na faculdade de Engenharia.

“O que me motiva é poder ajudar esses estudantes. Eles se empenham em transpor as barreiras do dia a dia e criamos um vínculo maior pela proximidade e superação. Todas as escolas da rede pública de ensino do DF são inclusivas e a educação vem para libertar a sociedade dos preconceitos. O estigma de que não conseguem cumprir um papel laboral, por exemplo, é um grave erro”, afirma Vagner.

Confira a cartilha desenvolvida pelo MEC com brincadeiras para crianças com TEA

*Com informações da Secretaria de Educação

 



Fonte: Agência Brasília

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