Paciente se emociona ao reencontrar cadela de estimação no Hran

“A espera chegou ao fim. Finalmente vou rever minha companheira”, disse Katia Rosana Zansavio, 54 anos, moradora de Sobradinho e paciente do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), minutos antes de reencontrar a cadelinha Charlote, da raça dachshund, conhecida por salsichinha. As duas não se viam desde que Katia fora internada com covid, 69 dias atrás.

Até ser internada, Katia só havia se separado de Charlotte uma única vez, em 14 anos de convivência – quando viajou | Fotos Johnny Braga/ Agência Saúde-DF

A saudade era grande e a expectativa maior ainda em poder rever a companheira de 14 anos. O encontro foi proporcionado pela equipe de enfermagem do Hospital Regional da Asa Norte, que cuidou de cada detalhe para que o momento ocorresse no estacionamento do Hran, com toda segurança que o momento pandêmico exige.

Katia, que cuida da mãe (85 anos) e do pai (84 anos) de segunda a sexta-feira, começou a sentir os sintomas da covid no dia 18 de abril. Segundo ela, no início, parecia uma gripe comum. Era um domingo e ela já se preparava para ir para a casa dos pais.

Na quarta-feira (21/4), os sintomas se manifestaram com mais força. “Fiz um chá para ver se melhorava e não melhorou. Foi quando deixei de sentir cheiro e gosto. Liguei para minha filha, que pediu para eu me isolar naquela hora”, relata.

“Ela sempre falava da cachorrinha e manifestou o desejo de vê-la. A filha da Katia perguntou se ela queria ver alguém e ela foi enfática: quero ver minha cadela” Fabiane Teixeira, supervisora de enfermagem do Hran

No dia seguinte, já isolada em casa, a irmã de Katia a levou para uma clínica, em Sobradinho, para consultar e fazer exames. Na sexta (23), o quadro piorou e a filha de Katia a levou, então, para fazer mais exames que o médico havia pedido. Fez um RT-PCR para detectar o coronavírus e o resultado foi positivo.

No mesmo dia o quadro piorou e ela foi levada para o Hospital Regional de Sobradinho (HRS), onde foi internada. O quadro estava evoluindo mal e, na manhã seguinte, a paciente foi intubada. “Eu já tinha visto outras pessoas serem intubadas, do meu lado, e imaginava que precisaria também. A equipe me avisou e concordei, pois queria viver.”

A partir do momento em que foi sedada e intubada, ela se lembra apenas do dia em que acordou, já no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), 28 dias após a intubação. “Acordei agitada, queria retirar o oxigênio, os fios”, recorda. A transferência para o HRSam ocorreu no dia seguinte à intubação no HRS.

Em Samambaia, ela permaneceu mais quatro dias após acordar e precisou ser encaminhada ao Hran, onde permanece internada, recebendo assistência multiprofissional para se recuperar e logo poder voltar para casa. Katia faz fisioterapia para recuperar a força dos membros inferiores e melhorar a capacidade pulmonar.

Ansiedade

“Ela sempre falava da cachorrinha e manifestou o desejo de vê-la. A filha da Katia perguntou se ela queria ver alguém e ela foi enfática: quero ver minha cadela”, conta a supervisora de enfermagem Fabiane Teixeira. A equipe do Hran, então, se mobilizou, junto com a filha da paciente, e organizou o reencontro entre as duas.

Charlote foi adotada por Katia quando tinha cinco meses de idade. Já são 14 anos de companheirismo e, ao longo desse tempo, elas haviam se separado uma única vez, quando Katia viajou. Segundo ela, Charlote não gostou da separação e, quando retornou, a cadela demonstrou o descontentamento.

A segunda separação ocorreu com a internação na rede pública de saúde. E lá se foram 69 dias de saudade, que chegou ao fim na manhã desta quarta-feira (30).

Para o grande momento aguardado por Katia, a equipe encheu balões e a levou em uma cadeira de rodas para o estacionamento do Hran. Assim que viu a cadela, a emoção tomou conta de todos que estavam próximos. O momento foi registrado em vídeo, veja como foi:

Participaram do reencontro a filha de Katia, Amanda Zansavio, 32 anos, o sobrinho André Zansavio, 35 anos, e a equipe de enfermagem do Hran que cuida diariamente da dona de Charlote. “Por tudo que eu via, pensava: se eu pegar covid, não vou sobreviver. Deus me deu mais uma chance de seguir o meu caminho e continuar aqui, e viva!”, comemorou  paciente.

Katia ainda ficará por mais alguns dias no Hran até se restabelecer e poder voltar para casa. O sentimento de toda família pela equipe que cuida de Katia é de gratidão e de boas energias na luta diária no enfrentamento à covid-19.

* Com informações da Secretaria de Saúde



Fonte: Agência Brasília

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